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28/12/2010

Análise Econômica

Automóveis: o mês de dezembro deve marcar o melhor desempenho na comercialização de automóveis da história automobilística nacional. As medidas de restrição ao crédito anunciadas pelo Banco Central, no mês passado, acabaram incentivando a antecipação de compras. A indústria, que iniciou o mês estimando vendas de 316,5 mil veículos, teve de elevar essa previsão para cerca de 355 mil. Se analisarmos todo o ano de 2010,  também há motivo para comemoração no setor. De janeiro até 15 de dezembro, as vendas acumuladas alcançaram 3,33 milhões de unidades, o que representa 200 mil veículos a mais do que em igual período de 2009.

Carga tributária: o Brasil segue enfrentando o fato de ser o país emergente com a maior incidência de impostos. De acordo com levantamento feito pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), os países industrializados tiveram uma carga tributária média de 33,7%, em 2009, enquanto o Brasil conviveu com um patamar de 34,5%. Numa avaliação do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), se analisado pelo ranking da OCDE, o Brasil ficaria na 14ª colocação entre os países que mais tributaram os seus contribuintes, no ano passado, depois de ter ficado em 18º, em 2008. Lembrando que os 13 que têm carga tributária maior do que a brasileira são países desenvolvidos, com alta renda per capita e ótimos serviços disponibilizados a sua população.

Casa própria: o ano de 2010 vai encerrar com um recorde absoluto na construção de novas casas, entre moradias populares, de classe média e de luxo. Foram nada menos do que 500 mil novos imóveis, que contaram com financiamentos de R$ 68 bilhões. Esse número é nada menos do que 13 vezes maior do que o resultado de 2002, quando o crédito imobiliário chegou a R$ 4,8 bilhões

China e Europa: o governo chinês reiterou sua intenção de auxiliar os países da Europa a superarem os momentos mais difíceis da crise. O Ministério das Relações Exteriores informou que a Zona do Euro é um mercado fundamental para o investimento das reservas cambiais da China, que no final de setembro estavam em US$ 2,46 trilhões. Um dos países que espera por essa força é Portugal, que projeta um investimento chinês de até 5 bilhões de euros em títulos do país. A chancelaria chinesa, no entanto, disse que a decisão sobre qual dívida soberana será objeto de aplicações de reservas ainda não foi tomada.

Confiança do consumidor: depois de manter uma trajetória de alta nos últimos meses, o Índice de Confiança do Consumidor, da Fundação Getulio Vargas, apresentou redução de 2,1% entre os meses de novembro e dezembro de 2010. O principal fator para a queda foi a redução do otimismo demonstrado em relação aos próximos meses, com o Índice de Expectativas sofrendo uma baixa de 3,4%, menor nível desde maio deste ano. A proporção de consumidores que avaliam a situação atual como boa diminuiu de 30,1% para 28,8% do total; a dos que a consideram ruim aumentou de 10,3% para 11,9%.

Crédito: o Banco Central projeta um crescimento de 15% na oferta de crédito no país, em 2011. De acordo com a estimativa da Diretoria de Política Econômica, a relação entre o crédito e o PIB ficará em 50% frente aos 48% projetados para 2010.  Para as pessoas físicas, a expansão da oferta deve ficar em 10%, enquanto o segmento de pessoas jurídicas deve contar com uma expansão de 14%.

Déficit externo em 2011: o déficit nas transações correntes deve bater no patamar de US$ 64 bilhões, em 2011. A estimativa do Banco Central teve de ser ampliada com o crescimento das compras de brasileiros no exterior, o aumento do Investimento Estrangeiro Direto e a elevação dos gastos com aluguel de máquinas e equipamentos por empresas nacionais. Somente para os gastos dos brasileiros em outros países, a previsão do BC é de que cheguem a US$ 11,5 bilhões, em 2011, abaixo dos mais de US$ 14,9 bilhões já consumidos neste ano. Com tudo isso, o déficit esperado passou de 2,76% para uma previsão de 2,85% do PIB, no próximo ano.

Dívida interna: o mês de novembro foi marcado por um aumento de R$ 22,2 bilhões na dívida pública imobiliária federal interna, que alcançou R$ 1,575 trilhão. Somente entre os meses de outubro e novembro, a elevação foi de 1,43%. Os principais fatores de incremento na dívida foram a emissão líquida de títulos, no valor de R$ 6,26 bilhões, e o impacto de juros no estoque da dívida, que atingiu R$ 15,94 bilhões.

Drawback: entrou em vigor uma das medidas de incentivo às exportações que vai beneficiar as indústrias brasileiras. Trata-se da extensão do regime especial de tributação chamado Drawback Integrado Isenção para os insumos produzidos no país. Até então, compensação só valia na compra de insumos importados. A medida agora amplia o alcance do mecanismo para matéria-prima nacional.

Empreendedorismo: se para abrir um negócio no Brasil as dificuldades são grandes, elas podem ser ainda maiores para quem deseja fechar uma empresa, pois poderá ter de esperar até quatro anos, enquanto no Canadá isso é feito em oito meses. São dados como este que levaram o Brasil a perder outras três posições na pesquisa Doing Business 2011, um ranking que mede o empreendedorismo nos países, e que leva em conta fatores como a abertura e fechamento de um negócio e o acesso a crédito. O Brasil ficou no 127º lugar entre 183 países. Os poucos fatores em que o país avançou foram na proteção ao investidor e no acesso ao crédito. Cingapura continua na liderança do ranking, seguida por Hong Kong.

Fusões e aquisições: os investidores dos Estados Unidos foram os campeões em aquisições de empresas brasileiras, em 2010, com a realização de 113 operações. Levantamento da auditoria KPMG mostrou que até o último dia 20 de dezembro foram realizadas 707 fusões e aquisições no país, superando o ano de 2007, que mantinha o recorde com 699 transações. A França, com 22 operações de aquisição de empresas brasileiras, e a China, com 21, seguiram de longe os norte-americanos.

Indústria: a indústria de transformação deve fechar o ano de 2010 com uma redução no seu grau de participação na economia, que deve ficar em 15,9%, depois de ter alcançado 19,2% entre os anos de 2003 e 2004. Esse fato, somado ao crescimento dos serviços e da indústria extrativa, tem ampliado o temor da desindustrialização. Pressionada pelo crescimento das importações e pela apreciação do real, a indústria da transformação vem enfrentando déficits cada vez mais pesados, que neste ano deve ficar acima dos US$ 26 bilhões já registrados até outubro. Em 2006, o superávit desse segmento industrial foi de US$ 30 bilhões.

Investimento Estrangeiro: os investimentos de empresas multinacionais no Brasil podem superar os  US$ 38 bilhões da nova estimativa feita pelo Banco Central. A forte entrada de capital deve representar 3,4% de todo o fluxo de investimento produtivo global, o que seria a maior taxa do país na década. Técnicos do BC entendem que o Investimento Estrangeiro Direto (IED) pode chegar próximo ao recorde alcançado em 2008. No ano passado, o IED foi de US$ 25,9 bilhões.

Máquinas agrícolas: o setor de máquinas agrícolas vai comemorar, em 2010, o melhor desempenho nos últimos 34 anos. Entre os fatores que permitiram a venda de 69 mil unidades de tratores e colheitadeiras estão os resultados dos programas Mais Alimentos e o PSI, que facilitou a renovação da frota dos produtores rurais. Esse desempenho é 25% superior ao registrado em 2009, quando o setor de máquinas agrícolas comercializou 55,3 mil unidades. Este bom desempenho, com certeza, tem tudo a ver com o PSI, um programa do BNDES que termina em março de 2011 e  precisa continuar

Real: a consultoria Economática apresentou levantamento em que mostra que, durante o governo Lula, a valorização do real chegou a 108,16% sobre o dólar, até o dia 21 de dezembro. De acordo com os dados, esse foi o maior avanço dentro de um grupo de moedas formado pelo euro e outras sete divisas latino-americanas. Dessas, apenas Argentina, México e Venezuela apresentaram desvalorização das suas moedas. De acordo com o estudo, durante o governo Lula, apenas em 2008 o real caiu perante o dólar, com recuo de 24,21%. A maior alta anual, de 34,22%, ocorreu em 2009.

Setor coureiro-calçadista: a sobretaxação ao calçado importado da China e o crescimento da renda do consumidor brasileiro estão entre os principais fatores da melhoria das atividades do setor coureiro-calçadista. Depois de 18 meses de investigação, foi confirmado que os produtos chineses entravam no país praticando dumping, o que levou o governo a taxar em US$ 13,85 cada par de calçado importado do país asiático. Essas medidas também ajudaram a ampliar o número de trabalhadores do setor, que era 336.494, em setembro de 2009, e passou para 373.368, no mesmo mês deste ano. Já a previsão é de que, em 2011, esse número alcance 400 mil trabalhadores.

Telefonia: com um reforço na demanda derivada do aumento do poder aquisitivo das classes D e E, os serviços de telefonia móvel e de internet devem ser um dos pilares de garantia para a continuidade da expansão econômica, em 2011. A projeção é do Banco Central, que aponta para um crescimento de 7,9% neste segmento, ajudando na busca da meta de 4,5% de crescimento para o PIB brasileiro, no próximo ano.

Fonte:

Adm. Fernando Viana

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